quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Com poucas ações públicas, saúde animal ainda depende de voluntários

Pouco mais de um mês após sua inauguração, o Hospital Veterinário do Tatuapé, em São Paulo - primeiro centro de saúde pública do País especializado no atendimento de cães e gatos -, é um raro exemplo de iniciativa governamental em um setor que ainda depende, em grande parte, do trabalho de voluntários. São poucos os municípios brasileiros que contam com políticas públicas voltadas para os animais. Rio de Janeiro e Porto Alegre são, até o momento, as únicas capitais onde há secretarias para lidar com o assunto.

Em São Paulo, o Conselho Municipal de Proteção aos Animais é a principal representação de proteção aos bichos. As demais cidades do País contam apenas com os Centros de Controle de Zoonoses (CCZ), destinados à prevenção e à manutenção de doenças transmissíveis aos seres humanos, por meio do desenvolvimento de sistemas de vigilância sanitária e epidemiológica. Contudo, esses CCZs realizam apenas ações e programas estabelecidos pelos governos federal, estadual e municipal, sem agregar políticas específicas de proteção e bem-estar aos "pets".
Inaugurado no dia 2 de julho deste ano na zona leste de São Paulo, o primeiro hospital veterinário público do Brasil evidenciou, em pouco mais de um mês de existência, a demanda desse tipo de serviço. "Quem não tem recurso não tem a quem recorrer. O ser humano tem o SUS (Sistema Único de Saúde), o animal não tem nada. Hoje mudou a consciência a respeito do animal. As pessoas sozinhas os têm como companheiros. O retorno foi fabuloso e já tem candidatos à prefeitura de São Paulo sensíveis a essa questão", explica Roberto Trípoli (PV), idealizador do projeto.

O vereador paulista acredita que a repercussão da criação do hospital irá inspirar outros governos municipais a implementarem políticas públicas como a elaborada por ele. "Há, inclusive, a ideia de expandir o projeto e criar mais hospitais em outras regiões da cidade. São estimados cerca de 6 milhões de animais só em São Paulo. Não tenho dúvidas de que essa política irá refletir no resto do País. Já tenho contatos em Curitiba. Estou certo de que essa intenção vai se espalhar", afirma o parlamentar.

De acordo com Wilson Grassi Júnior, conselheiro da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de São Paulo (Anclivepa-SP), gestora do hospital, a necessidade da criação de políticas públicas como essa é justificável a partir de três vertentes. "A primeira diz respeito à eliminação do sofrimento dos animais que estão doentes e sem nenhum tratamento. A segunda, em contrapartida, visa à redução da angústia das pessoas, pois donos de animais enfermos que não têm condições de pagar por um tratamento acabam sofrendo por ver o bicho agonizar sem poder ajudá-lo", afirma. "A última é referente às questões de saúde pública. Animais doentes são fontes de transmissão de doenças", explica.
 
Secretarias municipais: ações de conscientização pela causa animal

A capital carioca foi a primeira a introduzir, em sua política municipal, uma secretaria especial para cuidar dos animais. Criada em 2000, a Secretaria Especial de Promoção e Defesa dos Animais (SEPDA), comandada atualmente por Luiz Gonzaga da Costa Leite, mantém atuantes iniciativas como o programa de esterilização gratuita Bicho Rio, o projeto para adoção Adotar é o Bicho!, o Centro de Proteção Animal e o Programa de Educação Ambiental.
Seguindo a mesma linha, a Secretaria Especial de Defesa dos Animais (Seda) de Porto Alegre, com pouco mais de um ano de existência, já conta com diversas ações protetivas. Apenas entre 3 e 9 de agosto deste ano, a Seda realizou 103 esterilizações, 117 vermifugações, 20 atendimentos clínicos e cinco cirurgias.

A mais recente iniciativa da Seda é o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Animais, em 16 de agosto. A ideia é mobilizar a sociedade quanto aos projetos voltados à causa que estão em tramitação no Parlamento gaúcho e na Câmara dos Deputados. O deputado estadual Paulo Odone (PPS), que coordenará a frente, é autor, ainda, de um projeto de lei que proíbe a utilização de cães como guardas, no Rio Grande do Sul.
 
Bancos de sangue e o voluntariado

No Brasil, as principais instituições de ensino superior contam com bancos de sangue animal nas faculdades de medicina veterinária. Diariamente, como em seres humanos, são necessárias bolsas de reposição sanguínea para viabilizar procedimentos médicos. Contudo, nem sempre o serviço pode ser feito de maneira gratuita, por falta de verba destinada para esse fim. "Há um custo, pois o governo não tem políticas que garantam que esse serviço seja feito gratuitamente", explica a veterinária responsável pela criação do banco de sangue animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luciana Lacerda.

Luciana implementou o banco na Faculdade de Medicina Veterinária da UFRGS há sete anos, pela necessidade de um local que analisasse a fundo esse tipo de substância. Contudo, o banco foi fechado recentemente pela falta de um profissional disposto a dar continuidade ao projeto, tendo em vista a saída da veterinária. "Muito do investimento financeiro foi feito por mim mesma", ressalta.
 
Redes sociais

Engajada na causa como Luciana, há pouco menos de um ano, Bruna Mendes criou o projeto Open Bar Canino. Por meio das redes sociais, a jovem de 19 anos busca dar maior qualidade de assistência às principais ONGs animais de Porto Alegre. Por meio da arrecadação de ração, cobertores e roupinhas, ela dá condições às entidades destinarem forças para serviços mais complexos, como atendimento médico veterinário, cuidados básicos de saúde e medicamentos.
A estudante e a veterinária fazem parte de uma rede informal de voluntários que procura suprir a necessidade de políticas públicas de proteção e bem-estar dos animais na capital gaúcha. Esse tipo de atividade faz parte da rotina de milhares de pessoas, em todo o País, que acreditam nos animais como seres merecedores de melhores condições de vida e de assistência governamental.
A Constituição Federal, em seu artigo 225, impõe à sociedade e ao Estado o dever de respeitar a vida, a liberdade corporal e a integridade física desses seres, além de proibir práticas que os coloquem em risco ou provoquem a sua extinção. "Os animais de estimação são os únicos seres que dão todo o amor que têm e não pedem nada em troca, além de transmitir uma felicidade incrível. É impossível alguém entrar em um local que tem um cão abanando o rabo e não ficar feliz", afirma Bruna.


 *Texpo publicado no Portal Terra, em 15 de agosto de 2012 - Matéria com fotos

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Quando educar é a única solução

Na última terça-feira, uma briga entre dois estudantes da Escola Ivo Bühler (Ciep) chamou a atenção para a gravidade da violência escolar em Montenegro. Um aluno de 13 anos apertou o pescoço do colega de 12 até o jovem desmaiar. O agressor só cessou o estrangulamento através da intervenção de uma monitora da escola. Mesmo assim, o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) precisou ser acionado para remover o estudante agredido para o Hospital de Montenegro (HM).
Muitos pais podem pensar que se trata de um caso isolado, porém, a realidade aponta para um aumento considerável nos casos de comportamento agressivo nas escolas. Coincidência ou não, na sexta-feira da semana anterior, um incêndio atingiu um depósito da Escola Estadual Delfina Dias Ferraz. No texto publicado pelo Jornal Ibiá consta que, apesar de a direção não ter feito acusações quanto à autoria, no momento do fato houve suspeitas de que se tratasse de um sinistro proposital.
No entanto, esses são apenas exemplos de episódios noticiados pela mídia. Diariamente, os professores presenciam atitudes dos jovens que abrem a discussão sobre as causas e as consequências da violência escolar.
Durante dois dias, o Colégio Estadual Paulo Ribeiro Campos recebeu o Comitê Comunitário de Prevenção à Violência nas Escolas (Copreve) para a realização do curso de formação de mediadores de conflitos no ambiente escolar. A iniciativa é da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) e tem como proposta diagnosticar as principais formas de violência e conflitos nas instituições de ensino de diversas cidades do Rio Grande do Sul e preparar a docência para combatê-la. Representantes de todo os educandários estaduais do município estiveram presentes, assim como a Guarda Civil e o Conselho Tutelar. Dentro das 38 cidades abrangidas pela 2ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Montenegro, Taquara, São Leopoldo e Novo Hamburgo foram as escolhidas para capacitar os professores como mediadores de conflitos no ambiente escolar. De acordo com a responsável pela temática de mediação à violência da 2ª CRE, Noemi Antonio Maria, a seleção das cidades foi feita através de um levantamento prévio de onde havia maior incidência de situações de conflito.

Primeiro dia apontou principais problemas
Num primeiro momento, os cerca de 20 participantes do curso de formação se dividiram em três grupos. Cada equipe foi incumbida de listar os dez principais tipos de violência escolar mais incidentes, além de mencionar os fatores geradores de cada um e os métodos utilizados para lidar com as situações descritas dentro da sala de aula, no ambiente escolar e no entorno das instituições, respectivamente.
Após debaterem entre si, cada grupo apresentou suas constatações e exemplificou com fatos recorrentes nas escolas onde atuam. Dentre os tópicos listados, os docentes mencionaram vandalismo, mau uso de mídias sociais, brincadeiras violentas, assédio sexual, agressão verbal, desrespeito aos funcionários e bullying como algumas das situações frequentes nas escolas estaduais de Montenegro. As causas são atribuídas a diversos fatores, entre eles, à banalização das relações, sensação de impunidade, despreparo do professor, ausência de valores, baixa autoestima do aluno e drogas.
Contudo, os métodos utilizados para solucionar os problemas não parecem ter acompanhado o crescimento e a gravidade que a violência escolar atingiu na atualidade, além de não terem mais a mesma eficácia que tinham antigamente.

Falta preparação aos docentes
 Um dos temas levantados pelos professores foi a questão das universidades não formarem mestres preparados para enfrentar a realidade que se faz presente nas escolas. Uma das participantes comparou a formação pedagógica obtida no antigo magistério (hoje chamado Curso Normal) com as atuais licenciaturas. “É visível a falta de técnicas dos novos que, muitas vezes, não têm conhecimento nenhum a respeito da realidade que seus alunos vivem”, destacou.
Nesse contexto, ela lembrou de um caso onde um aluno foi espancado na rua porque se negou a vender drogas dentro da escola. “Tem situações em que eles têm mesmo que esconder de todos porque não sabem qual será a reação dos colegas, nem da instituição. E se isso viesse à tona na escola? Até que ponto a repercussão não prejudicaria esse aluno ao invés de ajudar”, questionou. De fato, uma situação incide sobre a outra, gerando a necessidade de preparo do professor diante dos diferentes contextos que podem aparecer.

 Governo investe em ações de prevenção
O assessor técnico do gabinete do Seduc e coordenador do programa de mediação de conflitos escolares no Estado, Júlio Alejandro Quezada Jelvez, explica que, desde o ano passado, a Secretaria de Educação desenvolve o programa de prevenção à violência nas escolas com várias temáticas, entre elas, a mediação de conflitos. “Para o ano que vem, queremos trazer o curso para alunos também, com a proposta de preparar estudantes para serem mediadores de situações de tensão”, explica. A ideia é prevenir a violência nas escolas em geral, visto que, além de todos os problemas mencionados, não são raros os casos de agressões a professores.
E, de fato, é a medida mais eficaz existente, apesar de ter efeito apenas a longo prazo. Em matéria publicada em março pelo Jornal Ibiá, os projetos de lei que visam proteger a docência da violência escolar foram listados. Todos eles encontram-se parados ou em tramitação. Alguns, há mais de um ano, deixando os professores em verdadeira situação de desamparo.
De acordo com uma das participantes, cursos como o de mediação de conflitos são uma necessidade para quem leciona hoje em dia. “Estamos vivendo outros tempos, e não são bons. Temos que aprender a lidar com essas coisas. Tem semanas em que a escola parece uma delegacia de tantas ocorrências que aparecem”, desabafa. “A escola deve ser de qualidade para que não precisemos de presídios de segurança máxima”, completou o representante da Guarda Civil.


*Matéria publicada no Jornal Ibiá (Montenegro -RS) de 29 de junho de 2012. Matéria com fotos aqui.

A vida só vale o que se faz de bom

Toda vez que recebo uma pauta sobre a história de vida de uma pessoa, procuro me preparar. Não sei bem o motivo dessa mania, afinal, nunca sei o que vou ver. Acho que o legal de ser jornalista é isso. Nunca saber o que vem pela frente. Com o Seu Mariano não foi diferente. Eu só sabia que deveria visitar um senhor que escrevia poemas. Jamais poderia imaginar que me depararia com uma pessoa capaz de dar uma lição de vida em um encontro de pouco mais de uma hora. A história do poeta de 71 anos comove. Comove pelo amor à escrita e à literatura. Pela forma como conseguiu manter-se escrevendo durante quase toda a vida sem perspectiva de reconhecimento.

Um fato contado por ele que me marcou muito foi a história de quando foi colunista de um jornal. Seu Mariano lembrou que uma vez foi pedido para escrever sobre uma temática que considerou ruim. Algo como violência ou coisa do gênero. Ele conta que se negou a fazer por não ter interesse em disseminar mensagens que não fossem boas. Um pouco antes ele mencionou um episódio em que, quando jovem, escrevera uma décima sobre uma enchente que atingiu Candelária e fora reprimido pelos irmãos. “Coisa negativa não se passa pros outros”, disseram na ocasião. Uma filosofia que levou por toda a vida.

Pedi alguns poemas pra colocar na matéria e recebi a negativa acompanhada da explicação de que os grandes jornais não têm interesse em publicar esse tipo de coisa. Que o que gera leitores é a tragédia, o assalto, a morte. Naquele momento, pensei no quanto eu gosto de literatura e no quanto apreciaria ver um texto legal com uma história bacana como a de Seu Mariano. Pensei nisso como leitora mesmo e não como jornalista. Falei pra ele que os jornais têm o objetivo de informar - seja a notícia boa ou ruim – e que, mais do que isso, os veículos de comunicação são uma forma de mostrar que não somos os únicos, que nossas rotinas são parecidas e que muito do que é importante pra nós, também é importante pra muitos. Mais do que a informação, as pessoas buscam identificação com tudo o que é noticiado. Além disso, mostrar histórias como a dele são uma forma de fugir das "matérias que dão audiência", para dar espaço às que dão certeza de que é possível ser feliz.   


* Texto publicado na seção "Blog da Redação", no site do Jornal Ibiá (Montenegro-RS) em 26/06/2012, referente ao texto O Poeta do Faxinal.

O Poeta do Faxinal

Uma pequena sala repleta de papel e coleções. Mais papel do que qualquer outro material. Entre os clássicos da literatura, pilhas de folhas classificadas por nomes de cidades. Municípios pelos quais passou. Locais que viu, viveu e o inspiraram. Nas prateleiras, de um lado, inúmeros porta-lápis. De outro, os chaveiros que também coleciona. Ali, naquela sala, a vida de seu Mariano está registrada em poemas e canções. Cerca de 6 mil. Todos escritos por ele ao longo dos 71 anos que carrega nas costas.
Em cima da escrivaninha, a inseparável máquina de escrever. E dentro do bolso, o bloquinho e a caneta que carrega consigo desde que começou a colocar no papel o que vê e o que sente, aos 17 anos. Ites Alves Mariano é morador do bairro Faxinal, em Montenegro. É funcionário público aposentado, pai de seis filhos, vô de oito netos e poeta. “Por onde eu ando, escrevo o que vejo. Qualquer coisa pode se tornar inspiração”, explica. Vindo de uma família de dez filhos, do interior de Candelária, ele conta que começou a tocar violão por influência dos irmãos, que se inspiravam na música sertaneja da época, como Tonico e Tinoco. “A gente cantava sobre a natureza. Sou muito ligado a ela”, diz. Deixou a terra natal para estudar, passou no concurso público que lhe garantiu a função de oficial escrevente, e escreveu. Ao todo, são 26 livros, com poemas em prosa e verso, e mais as canções. “Tudo é uma opção de vida. Eu queria estudar”, conta.
Sentado no sofá de sua casa, Mariano tem o olhar fixo e explica que falar sobre sua vida é como reviver um pouco de todo aquele passado. Entre um episódio e outro, os versos vem naturalmente, como que num passe de mágica, e se tornam parte da história do poeta do Faxinal: “Para mim, as estrelas do céu são as flores do chão. Quantos são os que pisam em nós?”, reflete.

Quando a inspiração faz parte da vida, nas coisas boas e ruins
Em 1961, uma enchente castigou Candelária de tal forma que a chuva chegou a levar algumas casas pra dentro do rio local. Seu Mariano conta que a tragédia chamou tanto sua atenção que o inspirou. “Escrevi uma décima. Meus irmãos me mandaram rasgar. Diziam que coisa negativa não se passa pros outros”, lembra. Ainda assim, continuou a registrar o que via com seu olhar refinado. Nem mesmo um velório passou despercebido. “Me xingaram dizendo que não era lugar para fazer aquilo. Fui para o banheiro e terminei o poema lá”, conta. Pouco tempo depois, a família do tal falecido recebeu os versos e mandou publicar no jornal, como homenagem ao ente querido perdido. Um momento de trabalho reconhecido.
Quando saiu de Candelária e foi para Santa Cruz do Sul estudar, levou consigo um violão, que, mais tarde, trocou por uma bicicleta velha. “Acho que foi aí que comecei a escrever de vez. Eu lembrava das minhas origens e escrevia algumas poesias”, emociona-se.

“A vida só vale o que se faz de bom”
Quando tinha em torno de 15 anos, em Santa Cruz do Sul, seu Mariano trabalhava nas fábricas de dia e estudava de noite. Alguns anos mais tarde, alcançou sua meta de se tornar funcionário público e mudou-se para Porto Alegre. Em 1980, veio transferido para Montenegro, onde chegou a escrever para alguns jornais locais, como colunista. Em seu acervo, canções sobre o município fazem parte dos textos que constituem sua obra. “Me considero montenegrino por adoção”, afirma. Passou por Capão da Canoa, voltou à Santa Cruz, escreveu para mais alguns jornais, se aposentou e voltou para cá há cerca de cinco anos, onde se sente acolhido - coincidência ou não, na Cidade das Artes.
Alguns episódios tristes marcam sua trajetória como escritor, mas nada que o faça perder a inspiração. “Eu cuido dos passarinhos, toco meu violão, leio e escrevo para passar o tempo”, comenta. Seu Mariano se considera feliz. Diz que acha que a vida não lhe reserva muito mais, mas que tudo o que planejou pra ele foi alcançado. Na sua salinha repleta de lembranças e histórias, ele se realiza a cada poema e segue escrevendo. “A vida só vale o que se faz de bom”, termina.


*Matéria publicada no Jornal Ibiá (Montenegro -RS) de 26 de junho de 2012. Matéria com foto aqui.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Caos é sinônimo de ERS 240

“Olha onde tá o dinheiro do meu imposto!”, brada um motorista de caminhão para os funcionários da empresa Giovanella, ao passar pelo atoleiro no desvio da obra da ERS 240, no sentido Montenegro-Portão. O que ele não sabe ao fazer a afirmação é que grande parte dos transtornos causados no trecho são oriundos dos próprios veículos pesados que não respeitam as orientações sobre o peso suportado pela estrada. “Se em cada trevo de desvio for colocado um funcionário da empresa, ninguém vai trabalhar na obra. Daí os caminhões não respeitam as placas e estragam a rua”, indignou-se um dos trabalhadores da construtora Giovanella, em um dos pontos críticos do desvio, na tarde de ontem. 
O Jornal Ibiá acompanha a sina dos motoristas que precisam utilizar a estrada de chão batido para ir ou vir de Portão, e tem constatado uma série de problemas. 
O aposentado Schirlei Dutra de Oliveira, 62 anos, que mora à beira do desvio, afirma que os responsáveis pela obra se prepararam mal. “Desde o começo, quando disseram que iriam usar essa estrada como desvio, eu já sabia que ia dar problema”, lamenta. De fato, as inúmeras reclamações a respeito do trânsito, da sinalização no local e a quantidade de caminhões atolados desde o início da obra abrem o precedente para que hipóteses como essas se tornem verossímeis. 
Na edição de terça-feira do Jornal Ibiá, um mapa fornecido pelo engenheiro responsável pela obra, César Zeni, do Departamento Autônomo de estradas de Rodagem (Daer), orientou os condutores sobre os caminhos a seguir no trecho, de acordo com o peso dos veículos. Entretanto, a sinalização precária não permite que as recomendações sejam seguidas corretamente. O desvio para veículos leves para quem vai de Montenegro até Portão fica no quilômetro 30 da rodovia, à direita, logo depois da Tenda do Segredo.
Contudo, não há placas claras mostrando que ali a rota alternativa só serve para automóvel. Quem passa desatento cai automaticamente na entrada da estrada sugerida para caminhões, chamada Barra do Cadeia, e trecho de acesso à ERS 240 de quem vem de Portão para Montenegro.
Com a confusão, a estreita via, de aproximadamente 5 quilômetros de estrada de chão, acaba recebendo fluxo de carros de ambos os sentidos e, ainda, os caminhões e carretas que não deveriam trafegar por ali. 

Transtornos são resultado de mau uso


Na tarde de ontem, a equipe do Jornal Ibiá presenciou o caos que se instalou a partir de um caminhão que atolou no trecho para veículos leves, na estrada da Divisa. Uma imensa fila de carros se formou enquanto os funcionários da Construtora Giovanella, contratada pelo Daer para reconstruir o bueiro na 240, se desdobravam para transportar material que pudesse dar condições à estrada de chão danificada pela chuva e pelo uso dos veículos pesados.
Enquanto isso, motoristas indignados com a precariedade da rota e a demora para conseguirem passar reclamavam da situação. “Achei uma falta de organização essa obra. Quem a contrata tem que dar estrutura para que ela possa ocorrer. Estamos em 2012 e ainda vemos esse tipo de situação”, afirmou Dirceu Roque Sponchiado, que pretendia chegar a Taquaruçu do Sul.
Outros motoristas comentavam que não havia placas que informassem que veículos de mais de 8 toneladas não poderiam trafegar por aquele desvio, no sentido Portão-Montenegro. Todos eles esperaram cerca de 30 minutos para seguir viagem.
Morador do local, o agricultor Harry Gröss, 40 anos, olhava com o cenho franzido os homens tentando assentar o barro no trecho onde ocorreu o atolamento. “Tá horrível isso aqui. É uma vergonha! Esse desvio devia ter sido preparado antes. Deviam ter alargado essa estrada antes”, reclamou. Ele chegou a fazer contato com a Polícia Rodoviária que o orientou a entrar em contato com a empreiteira.

A quem cabe a responsabilidade?

A grande dúvida que paira sobre os usuários do trecho em questão é a respeito da responsabilidade pelas condições das rotas alternativas.
O superintendente regional do Daer, engenheiro Jorge Fernandes, informou que, antes do início da obra, foi solicitado à Construtora Giovanella que o desvio recebesse melhorias para suportar o fluxo de veículos. Uma revigoração do desvio teria sido feita pela empresa, todavia, a utilização do trecho por veículos pesados teria prejudicado o trabalho. Jorge ainda informou que, por conta dos transtornos que vêm ocorrendo, novas melhorias foram solicitadas para amenizar o caos. 
A Giovanella afirmou que o Daer é quem dá as orientações, e a ela cabe apenas executar as medidas. Contudo, tanto o Daer quanto a Giovanella reforçam o pedido de colaboração dos motoristas. Caminhões da construtora estão, constantemente, deslocando material para os desvios, com a finalidade de assentar o barro e os buracos provocados pelas chuvas de ontem e pelos motoristas de caminhões que não obedecem as placas. Para hoje estão previstas novas intervenções nos trechos alternativos para melhorar a estrada.
Diante da confusão, o Daer informou que irá analisar a situação e tomar medidas.


*Texto parte da cobertura da obra da "cratera", no km 24 da ERS 240. Foi publicada em 31 de maio de 2012, no Jornal Ibiá (Montenegro-RS). Matéria com fotos aqui.


Quando o trabalho dá lição de vida

Uma tarde quente e muito nervosismo. Assim eu descreveria o dia em que fui fazer a entrevista com os haitianos que vieram, recentemente, pra Montenegro. Normalmente eu já fico ansiosa para entrevistas importantes, porém, aquela seria minha primeira em francês, língua que estudei durante anos, mas estava há muito sem praticar.

O primeiro contato com os novos imigrantes foi mais fácil do que eu imaginava e o idioma fluiu melhor do que eu poderia esperar. O Ezechiel, que cursou dois anos de faculdade, se mostrou super solícito e comunicativo - apesar de não querer aparecer nas fotos - e me ajudou muito a compreender o que os outros falavam em Crioulo - dialeto haitiano que constitui língua oficial junto com o francês.

Em quase 2 horas de entrevista, ele me mostrou a casa onde estão vivendo e falou sobre seus sonhos. Foi emocionante o momento em que, conversando sobre a vontade que ele tem de continuar seus estudos, eu mencionei que aqui no Brasil existiam universidades gratuitas e que, talvez, fosse possível tentar seu ingresso em alguma delas. A alegria no olhar foi explícita.

O Jean Chal foi outro que comoveu. A primeira coisa que me perguntou, quando me apresentei como sendo do Jornal, era como ele deveria fazer pra trazer a esposa e os três filhos que deixara no Haiti. Fiquei sem palavras, querendo dizer algo que alentasse, mas, infelizmente, não tinha nenhuma informação que pudesse ajudar.

Depois de conversar com eles, tive um longo diálogo com o Charles, coordenador de produção da Agrogen, que foi ao Acre fazer a oferta de emprego. Ali eu percebi que a situação dos haitianos não emocionava só a mim. Ele me contou toda a história e se emocionou ao lembrar de alguns fatos. Por fim, ele afirmou, que se a empresa pedisse que fosse novamente ao Acre, iria simplesmente pela oportunidade de ter contato com uma realidade tão difícil e poder fazer algo pra mudar.

Saí de lá pensando muito naquilo tudo. Na vida daquelas pessoas, em tudo que eu tinha e como eu deveria agradecer pela vida privilegiada que levo. Fiquei com vontade de voltar mais vezes, e, de fato, o farei. Talvez eu não possa ajudar o Jean Chal a trazer a família, nem o Ezechiel a voltar a estudar, mas posso tentar fazer com que essa batalha dura que eles terão pela frente, seja menos sofrida com a amizade e apoio que me senti disposta a oferecer. Bon courage, mes nouveaux amis! (Boa sorte meus novos amigos!)

* Texto publicado na seção "Blog da Redação", no site do Jornal Ibiá (Montenegro-RS), com os bastidores da entrevista com os haitianos.

 

Superação como condição para sobreviver

“Estamos aqui para ajudar nossas famílias que ficaram lá! Essa é a nossa responsabilidade”, afirma Ezechiel Charles, um dos 24 haitianos que foram trazidos para Montenegro, para trabalhar na empresa Agrogen. Ainda em processo de adaptação com a língua e, principalmente, com o frio, os novos “gaúchos” trazem no olhar as marcas do caminho trilhado até o Brasil, e no sorriso a esperança de dias melhores.
Ivia Olivier, Mariciledesir, Aldajuste Nasson e Jean Wener Chal, junto com Ezechiel, acreditaram nas promessas de sucesso, dinheiro e prosperidade que circulavam em seu país a respeito do Brasil. Nenhum deles se conhecia, porém, todos compartilhavam o sonho de ajudar a família a sobreviver com os ilusórios salários de cerca de R$ 3 mil supostamente pagos por aqui. Vieram de forma independente, sem contrato ou vinculação com qualquer empresa, sem lugar para ficar ou contato de conhecido brasileiro que pudesse auxiliar. Um pouco de dinheiro para pagar as passagens e muita vontade de mudar de vida era tudo o que traziam na bagagem. 

Saíram do Haiti em janeiro deste ano sem data para retornar. Fizeram, de avião, uma rota bastante conhecida entre os haitianos. Passaram pela República Dominicana, Panamá e Peru, onde entraram em terras brasileiras através do Acre. “Nosso país é muito pobre. Já era antes do terremoto, mas ainda conseguíamos levar a vida. Depois da catástrofe, nos vimos obrigados a deixar o Haiti para buscar melhores condições. Era a única esperança”, explica Ezechiel.
No trajeto até a fronteira do Peru com o Brasil, tudo ocorria bem até perceberem que o suborno de peruanos, para atravessar o limite entre os dois países, era rotina. “O governo peruano não deixou eles entrarem aqui. Vieram de forma ilegal, com os coiotes. Eles contam que pagaram 100 dólares para poderem atravessar a fronteira”, comenta Charles Eduardo Stefanello, coordenador de produção da Agrogen, que foi buscá-los no Acre. O impasse para sair do Peru e chegar à Brasiléia, cidade brasileira na fronteira com o estado nortista, custou todo o dinheiro que traziam consigo e três meses dormindo na rua e trabalhando exclusivamente por comida até a situação se resolver.

Pelo mundo em busca de um sonho maior
Ezechiel tem apenas 25 anos. Cursou até o segundo ano da faculdade de Ciência da Computação, no Haiti. Ele conta que, antes do terremoto que devastou seu país, em janeiro de 2010, a vida era difícil. Entretanto, após a catástrofe, a situação se tornou insustentável.
“Depois do tremor, tivemos medo que houvesse outro e fomos obrigados a sair do país e buscar outra alternativa”, lembra. Emocionado, ele afirma que perdeu pessoas queridas no desastre e que a pobreza, o desemprego e a violência atingiram níveis assustadores e sem perspectivas de solução.
O jovem é um dos únicos imigrantes que possui um grau de instrução mais elevado. É tido como um dos líderes por ter conhecimento de outras línguas, entre elas a espanhola e o inglês, o que o torna um facilitador da comunicação entre os funcionários brasileiros e os haitianos, na Agrogen. 
Curioso, ele faz perguntas sobre o Brasil, questiona como é viver em São Paulo e se mostra esperançoso com a vida que se projeta daqui para frente. “O motivo principal de estar aqui é juntar dinheiro para conseguir continuar meus estudos e ajudar a minha família”, afirma. Concluir a faculdade deixou de ser algo possível para se tornar um sonho distante.
Os outros, em sua maioria, eram comerciantes em suas respectivas cidades e, como Ezechiel, perderam junto com parentes e bens materiais a perspectiva de felicidade pela qual vinham batalhando até perderem tudo com o terremoto. O que restou, além dos escombros, foram esperança e força. Muita força.

Ações em nome de um futuro
Jean Chal tem 40 anos. Tem, também, nos olhos, marcas de saudade. “Tenho esposa e três filhos. Como faço para trazê-los para cá?”, questiona, auspicioso.  Charles comenta que os trouxe a Montenegro para adquirirem um celular cada um. Jean gastou todos os créditos que colocou, no dia da compra, para falar com a família.
Marcos Antonio Matte, líder de produção da Agrogen, também conta que frequentemente é solicitado para ajudar a realizar ligações para o Haiti. “Esses dias, um deles vibrava ao conseguir completar a ligação. Acenava para mim com os polegares, sorrindo, por ter conseguido”, lembra.
O coordenador de produção também menciona outra moça do grupo, que quase desistiu do emprego na granja por achar que não conseguiria trabalhar na função para qual foi designada. “Ela disse que nunca tinha trabalhado na vida. Provavelmente a família tinha um poder aquisitivo maior para ela nunca ter precisado batalhar por dinheiro”, especula Charles.
De fato, a história diferente que cada um conta é uma amostra da realidade difícil que paira sobre o pequeno país, e o quanto de suas vidas está sendo sacrificada nessa tentativa de recomeçar. Quando foram propostos para o emprego no Rio Grande do Sul, havia 250 haitianos no alojamento, em Rio Branco, no Acre. Os 24 que se interessaram em vir para o Estado tiveram seus documentos regularizados na imigração, ganharam visto e carteira de trabalho. Agora são como qualquer outro cidadão, com direitos e deveres, porém, alguns medos e receios a mais. “Tem racismo no Brasil? Se algum dia eu for vítima de preconceito aqui, volto pro Haiti”, afirma Ezechiel. “Os brasileiros são sensíveis, compreensivos, nos ajudam e são alegres como nós”, termina.

Recrutamento foi até o Acre
A dificuldade de contratar mão de obra para algumas unidades produtivas aqui no Estado, e também em Minas Gerais, fez a Agrogen buscar uma alternativa inusitada. Foi assim que surgiu a ideia de dar uma oportunidade de trabalho para haitianos. A seleção foi realizada em abril, em Rio Branco (Acre)e, desde o final do mês passado, eles se encontram em solo gaúcho, em três unidades da empresa.
A coordenadora de Recursos Humanos da Agrogen, Vanessa Lermen, conta que leu uma reportagem sobre a migração de haitianos para o Brasil em busca de emprego e uma nova vida, já que seu país fora devastado por dois terremotos em 2010. Daí surgiu a ideia de buscar a contratação dessas pessoas. “Eu estava no Paraná e conversando com uma consultora sobre a dificuldade de contratar mão de obra. Então ela comentou que havia escutado boas referências sobre a mão de obra dos haitianos. Pensamos que seria uma ideia boa aliarmos a oportunidade de ajudarmos essas pessoas e resolver o nosso problema com a escassez de trabalhadores, que atinge o setor avícola”, explica.
A partir daí, foi feito contato com o governo do Acre, que serve de porta de entrada para os haitianos no país. “Fomos atendidos pelo secretário municipal de Brasiléia, cidade que se especializou em acolher os haitianos que nos informou que os mesmos estariam entrando no país por Rio Branco, sua capital. Na medida que o governo federal fosse autorizando a entrada deles, que estavam na fronteira do Brasil com o Peru, fariam contato para que fossemos recrutá-los”, conta Vanessa.
A liberação da entrada dos haitianos no Brasil foi feita apenas no dia 17 de abril, para 240 pessoas. Assim, no dia 18 de abril, o coordenador de produção da Agrogen, Charles Stefanello, e Juliana Coser, do setor de Recursos Humanos da empresa, foram até Rio Branco, para selecionar e recrutar os haitianos. Dos 32 contratados, dez foram para as unidades de Montenegro, dez para São Francisco de Paula, quatro para Triunfo e oito para Sete lagoas (MG).

Sobre o Haiti
- O Haiti é o país mais pobre das Américas. Ao mesmo tempo, foi a primeira república negra do mundo a declarar sua independência.
- Cerca de 80% da população vive em situação de extrema pobreza com menos de dois dólares por dia e situa-se em uma área no globo que é bastante propícia a ser atingida por furações e terremotos.
- Uma das línguas oficiais do país é o Francês, porém, apenas 10% da população a utiliza. A maioria fala o Crioulo, língua oficial junto com o idioma da minoria.
- Desde junho de 2004, Argentina, Benim, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Croácia, Equador, Espanha, França, Guatemala, Jordânia, Marrocos, Nepal, Paraguai, Peru, Filipinas, Sri Lanka, Estados Unidos e Uruguai compõem as tropas que integram a Missão de Paz no Haiti. É uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para reconstruir e estabilizar a República. 
- Em janeiro de 2010, um tremor de terra de 7 graus na escala Richter devastou o país e agravou a situação dos mais de 10 milhões de haitianos. No desastre, pelo menos 200 mil pessoas morreram, 800 mil ficaram feridas, 4 mil foram amputadas e quase 2 milhões desabrigadas. E esse número de óbitos só contabiliza os sepultados oficialmente. Os que nunca foram retirados dos escombros nem os que foram enterrados pelas famílias estão incluídos. Se contados, o número estimado chega a quase 700 mil mortos. Foi a terceira maior catástrofe do mundo.

CNIg aprovou concessão de vistos
 
Segundo a coordenadora de Recursos Humanos da Agrogen, Vanessa Lermen, a idade dos haitianos trazidos pela empresa para o Estado e para a cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais, varia de 22 a 52 anos, sendo 26 homens e seis mulheres.
Vanessa conta que a contratação foi realizada no regime de Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), “com todos os benefícios legais e, em alguns casos, com acompanhamento psicológico. Por causa de algumas denúncias de promessas não cumpridas por parte de algumas empresas, o Ministério do Trabalho monitora todas as empresas contratantes”, explica.
O processo de espera por uma oportunidade de trabalho não é dos melhores. De acordo com Vanessa, em Rio Branco, os haitianos recém-chegados recebem assistência médica, alimentação e hospedagem em uma pousada onde cabem até 80 pessoas precariamente. “Lá, eles fazem exame para detectar Aids, Cólera e outras doenças, além de tomar vacinas contra Hepatite, Tétano e Febre Amarela”, conta.
Segundo ela ainda, o Conselho Nacional de Imigração (CNIg), órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego (TEM), aprovou  a concessão de 1.200 vistos por ano para haitianos que pretendem migrar para o Brasil. O documento, válido por cinco anos, dá direito de o estrangeiro trabalhar e trazer a família para o país pelo mesmo período.

*Matéria publicada no Jornal Ibiá (Montenegro -RS) de 10 de maio de 2012, em co-autoria com Pedro Giumelli, no qual participei fazendo a entrevista com os haitianos. Matéria com fotos aqui